segunda-feira, 20 de julho de 2015

Os clássicos estão entrando em extinção?

Tecer comentários por gosto principalmente musical é um tiro no pé, tentar classificar o que é bom o que é ruim, a não ser que você diga isso a nível pessoal, é alvo de muitas críticas e indagações. Mas se tem uma coisa que muita gente pergunta é, cadê as músicas que viram clássicos? Bom, eu não me atrevo a responder a premissa de forma direta e objetiva, pois entraria no campo do gosto individual etc, etc... Entretanto podemos discutir o seguinte, apesar do gosto ser algo muito individual, podemos caracteriza-lo como algo socialmente construído, óbvio, assim como tudo na nossa sociabilidade, mas se o gosto é algo socialmente construído, podemos afirmar ou no mínimo supor que hoje há uma imposição pelo gosto, pelo o que é socialmente aceitável e facilmente "digerido". Outra coisa que é muito delicado discutir é o conceito de cultura, mas pelo menos para mim isso é um assunto superado ou superável, tendo em vista que não há música cultural e não cultural, toda música faz parte de determinada cultura, a gente gostando ou não. Mas, talvez podemos entrar em um campo de discussão que é o seguinte, existem músicas descartáveis e músicas que viram clássicos, independente do estilo, e ainda nesse campo podemos caracterizar a música em duas formas, aquela que tem a arte em sua essência ou aquela que é para consumo rápido (chamo de música "fast food"), e é nesse quesito que talvez os clássicos estão cada vez menos em evidência. E isso atinge em cheio aqueles que ainda apostam na arte, o no fazer música de qualidade, entenda música de qualidade aquela que tem  um enredo, carrega consigo uma emoção, tem toda uma estrura, é a música acima de todas as coisas, e não a execução da música propriamente dita, até porque música “boa” e música “ruim” depende do contexto em que você está inserido naquele momento. Mas a questão que estou tentando levantar é a seguinte, as músicas "fast food" estão cada vez mais enterrando a possibilidade de surgimento de clássicos (ou possíveis), há um desinteresse de músicos em continuar na música devido a este fato, os espaços para quem ainda quer apostar na arte estão se afunilando, pois a imposição midiática por determinados estilos, sufocam outros, isso se deve ao fato de determinados estilos aceitar, ou por ser mais fácil de se fazer a música "fast food", acredito que vai chegar um momento em que você vai querer ir num show para levar sua namorada ou namorado, ou um show para você sentar e refletir, assistir e ouvir música, sem essa questão da badalação, da pegação, da bebedeira, e você não vai encontrar esse show pois haverá daqui um tempo um desinteresse em fazer esse tipo de espetáculo, pois todo mundo correu para fazer o sertanejo universitário, o pagode ostentação, o funk, o forró “pegado” e você vai se sentir obrigado a ficar em casa assistindo vídeo no You Tube para relembrar outras músicas, pois a nova levada de músicos está cansando em dar “murro em ponta de faca”, e perder o espaço para as músicas "fast food", e com isso a produção desse tipo de música se fortalece e a outra parcela só enfraquece, e antes que você diga que é um texto preconceituoso com determinados estilos, cito o exemplo do Sertanejo, antes dos universitários, haviam uma produção larga de clássicos sertanejos que atravessam gerações, coisa que se você pegar produções sertanejas de 5 anos atrás, ninguém mais lembra. Então é isso, essa discussão daria uma tese de mestrado, talvez em outros textos volto a abordar esse tema delicado novamente, e agora fiquem com um clássico da música brasileira que gosto muito, um tanto clichê, mas a músicalidade é incrível...  









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